Dia Mundial da Paz: Leão XIV pede reforço das instituições internacionais e da diplomacia
Na Mensagem para o Dia Mundial da Paz, que se assinala a 1 de janeiro, o Papa Leão XIV apelou aos governantes de todo o mundo para que retomem o “caminho desarmante da diplomacia”, pedindo o fortalecimento das instituições supranacionais em vez da sua deslegitimação.
“É o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço”, lamenta Leão XIV, na mensagem para o 59.º Dia Mundial da Paz, que se celebra no primeiro dia de 2026,
O Papa aborda a dimensão política da construção da paz, num contexto de “desestabilização planetária” cada vez mais imprevisível.
O documento pede aos responsáveis políticos que investiguem a fundo a melhor forma de harmonizar as comunidades a nível mundial, baseando-se na “sinceridade dos tratados e na fidelidade aos compromissos assumidos”.
Leão XIV adverte contra a tentação do “fatalismo” perante a globalização e os conflitos, rejeitando a ideia de que as dinâmicas atuais são fruto de forças anónimas impossíveis de controlar.
Para contrariar a estratégia de quem procura “semear o desânimo”, o Papa propõe o desenvolvimento de “sociedades civis conscientes” e formas de associativismo que promovam a participação não violenta.
“É necessário motivar e apoiar todas as iniciativas espirituais, culturais e políticas que mantenham viva a esperança”, escreve.
Citando a encíclica ‘Rerum Novarum’ de Leão XIII, escrita no final do século XIX, o Papa sublinha a importância da cooperação e da justiça restaurativa, tanto em pequena como em grande escala, lembrando que a dignidade humana está hoje exposta aos “desequilíbrios de poder entre os mais fortes”.
A mensagem evoca ainda o Jubileu da Esperança, que a Igreja Católica vive até 6 de janeiro de 2026, deixando votos de que este Ano Santo leve milhões de pessoas a iniciar um “desarmamento do coração, da mente e da vida”.
O Dia Mundial da Paz foi instituído em 1968, pelo Papa São Paulo VI, sendo celebrado anualmente a 1 de janeiro, pela Igreja Católica.
Santa Maria, Mãe de Deus / (Solenidade) Dia Mundial da Paz
A notícia é o nascimento de Jesus!
Num 6, 22-27 / Slm 66 (67), 2-3.5-6.8 / Gal 4, 4-7 / Lc 2, 16-21
Começa a “propagação” da pessoa de Jesus.
São Lucas diz que os pastores foram visitar o Menino e depois regressaram «glorificando e louvando a Deus». Jesus nasceu e isso é a notícia. Jesus começa por ser «o Menino deitado na manjedoura». Nasce na margem da povoação (Belém), na margem dos nossos sistemas e das nossas seguranças, na margem do mundo. Mas é preciso que Ele passe da margem para o centro. Ele deve ser o centro do mundo e das nossas vidas.
Será um caminho árduo que requer as nossas forças.
Veja-se que a própria celebração do Natal é caminho. O Natal não é um dia só (o nascimento de Jesus). Engloba também as festas da Sagrada Família (Domingo passado), de Santa Maria, Mãe de Deus (hoje), da Epifania (próximo Domingo) e do Batismo do Senhor (Domingo posterior). Em tudo isto se revelam aspetos da Encarnação do Senhor. Esta não foi só a gestação de Jesus no ventre materno. É também a sua vinda e manifestação à humanidade.
Precisamos de interiorizar, então, a ideia de caminho. Parece que hoje estamos mais treinados para instantes do que para caminhos. Reparemos no caminho da interação com Deus. Invoca-se o Senhor? Então, Ele abençoa-nos. Dirige para nós o olhar e é-nos favorável (Números). Visita-se o Senhor? Então, voltamos para casa alegres com o que ouvimos e vimos (São Lucas). Acolhemos o Espírito que Deus nos envia? Então, temo-lo a habitar em nós, levando-nos a vê-lo como Pai (Carta aos Gálatas).
Reparemos também no caminho da maturação interior. «Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração» (São Lucas). Há as coisas que acontecem na nossa vida e há o sentido que lhes damos. Há o desenho que as coisas realmente têm e a impressão com que ficamos delas. Enfim, há a sequência dos impactos daquilo que a vida nos traz e há o encadeamento do laborar interior a respeito desses impactos.
O Hotel “O Encontro”, na vila de Sendim, foi o palco da I Gala dos Palos d’Ouro, um evento cultural realizado a 26 de dezembro, com o propósito de homenagear os pauliteiros e pauliteiras sendineses, que preservam e divulgam das danças tradicionais da Terra de Miranda.
O Presidente da Associação de Pauliteiros de Miranda – Sendim, Telmo Ramos, anunciou que a Câmara Municipal de Miranda do Douro, na pessoa da presidente, Helena Barril, recebeu o Palo d’Ouro “Mérito e Excelência”, pelo trabalho desenvolvido na promoção cultural dos Pauliteiros de Miranda, em Portugal e no estrangeiro.
«A entrega do prémio “Mérito e Excelência” ao município de Miranda do Douro, visa homenagear e agradecer o incansável apoio do executivo municipal, liderado pela presidente, Helena Barril, na valorização e projeção dos grupos de Pauliteiros de Miranda, através das atuações em Portugal e no mundo. No trabalho do executivo municipal, destaco também a inscrição das Danças Rituais dos Pauliteiros nas Festas Tradicionais da Terra de Miranda, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial e a candidatura que já está a ser preparada para inscrever as Danças dos Pauliteiros de Miranda no Património Mundial da UNESCO”, justificou, Telmo Ramos.
Na I Gala dos Palos d’Ouro, o prémio de “Melhor Pauliteira” foi atribuído à jovem, Matilde Alves, numa eleição feita pelos cerca de 50 jovens que participam nos vários grupos de pauliteiros em Sendim.
Nos rapazes, Leandro Alves recebeu o prémio de “Melhor Pauliteiro”, um galardão entre pelo presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Luís Santiago.
Gabriel Ramos, em gaita-de-foles, recebeu das mãos da presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, o Palo d’Ouro “Melhor Músico”.
O prémio “Revelação” resultou de uma escolha da direção da Associação de Pauliteiros de Miranda- Sendim e neste primeiro ano foi entregue a Gonçalo Esteves, pela sua dedicação, comportamento e talento que já lhe permite dançar com os pauliteiros seniores.
A I Gala dos Palos d’Ouro que decorreu no restaurante do Hotel “O Encontro”, na vila de Sendim, teve momentos de entretenimento, música e as danças dos pauliteiricos sendineses.
Em 2026, a II Gala dos Palos d’Ouro vai realizar-se no mês de dezembro e a pretensão da Associação de Pauliteiros de Miranda-Sendim é convidar todos os antigos pauliteiros, dirigentes e ensaiadores de modo a angariar novos associados e cujas quotas anuais gerem receita para a organização da gala anual.
“No novo ano de 2026, para além das atuações dos Pauliteiros de Miranda-Sendim em Portugal e no estrangeiro, com duas viagens já programadas a Veneza (Itália) e ao Brasil, vamos ainda desenvolver outros projetos como a instalação do Museu do Pauliteiro, em Sendim”, avançou Telmo Ramos.
No triénio 2025-2028, a Associação de Pauliteiros de Miranda-Sendim tem como principal missão dar continuidade ao ensino das danças na Escola do Pauliteiro, instalada na Casa de l’Pauliteiro, em Sendim.
Na vila de Sendim, o grupo de Pauliteiros já existe desde 1956. Contudo, a associação só foi constituída a 21 de junho de 2007 e dois anos depois, a 13 de julho de 2009 (feriado comemorativo de elevação de Sendim a vila) foi inaugurada a Casa de l’Pauliteiro, a atual sede dos pauliteiros e pauliteiras sendinesas.
Sendim: “Tomba-Ladeiras” é uma caminhada turístico-cultural entre portugueses e espanhóis
No sábado, dia 27 de dezembro, mais de uma centena de portugueses e espanhóis, participaram na “Caminhada Tomba-Ladeiras”, um percurso pedreste e fluvial de 11 quilómetros nas arribas do rio Douro, entre as localidades de Fermoselle (Espanha) e a vila de Sendim (Portugal).
Uma das caminhantes, a vice-presidente da União de Freguesias de Sendim e Atenor, Ana Paula André, indicou que a primeira caminhada Tomba-Ladeiras, entre Sendim e Fermoselle, realizou-se no ano 2005, por iniciativa da associação Mirai q’Alforjas.
“Percorridos 20 anos desde a primeira caminhada entre Sendim e Fermoselle, este ano participaram na atividade 125 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, 35 dos quais foram os vizinhos espanhóis. O percurso de 11 quilómetros, entre Fermoselle e Sendim levou-nos a calcorrear as arribas do rio Douro, que antigamente foram uma antiga rota de contrabando usada pelos portugueses e os espanhóis. Apesar do frio do inverno, o convívio e a confraternização aqueceu os corações e o ânimo de todos os caminhantes”, disse a autarca sendinesa.
A atividade começou ao início da manhã de sábado (8h30), com as viagens de autocarro da vila Sendim para Fermoselle (Espanha), onde os portugueses foram recebidos “calorosamente” pelos vizinhos espanhóis, com um “desayuno” (pequeno-almoço) de café, licor de café, bolos tradicionais de Espanha e os portugueses ofereceram a Bola Doce Mirandesa.
«Após o pequeno-almoço de boas-vindas, seguiu-se uma visita às históricas “bodegas” ou adegas subterrâneas de Fermoselle, que estão em processo de inscrição no Património Natural e Cultural Material da Humanidade, pela originalidade de estarem construídas no subsolo da localidade de Fermoselle”, destacou Ana Paula André.
A caminhada propriamente dita iniciou-se às 10h30, com a descida de Fermoselle até ao rio Douro, numa distância de três quilómetros. Chegados ao rio, a mais de uma centena de participantes fez a travessia fluvial do Douro, em viagens de barco.
Já na margem de Portugal, os caminhantes foram presenteados com um almoço convívio, no cais fluvial dos Pisões, preparado pela Comissão de Festas em honra de Santa Bárbara, cuja ementa foi um sopa quente, com postas de vitela assada na brasa e batatas, pão e fruta.
Após o almoço houve a animação musical dos jovens gaiteiros e as danças dos Pauliteiros de Sendim e os espanhóis também se juntaram à festa com a música do tamboril e a dança da garrafa.
Os mais de 100 participantes concluíram a caminhada “Tomba-Ladeiras” com a subida de sete quilómetros, dos Pisões até à vila de Sendim.
De acordo com a Freguesia de Sendim, no próximo ano de 2026, a Caminhada “Tomba-Ladeiras”, volta a realizar-se no mês de dezembro, mas desta vez começa em Sendim e termina em Fermoselle (Espanha).
“Em 2026, o autocarro vai buscar os vizinhos espanhóis a Fermoselle (Espanha), para iniciarmos juntos a caminhada desde Sendim até aos Pisões. No cais fluvial atravessamos o rio Douro de barco, para depois subirmos até Fermoselle, onde vamos concluir a atividade com um almoço nas bodegas”, adiantou a autarca de Sendim.
A “Caminhada Tomba-Ladeiras” é uma iniciativa anual, que pretende ser um projeto de cooperação transfronteiriça entre Sendim (Portugal) e Fermoselle (Espanha), para aprofundar as relações de vizinhança e potenciar o desenvolvimento turístico cultural de ambas as localidades.
2026: Pão e pastelaria com “ligeiro aumento” de preço
O pão e os produtos de pastelaria deverão sofrer um “ligeiro aumento” de preço no próximo ano, impactados pelas revisões laborais e pelo agravamento do gasto com os ovos, frutos secos e cartão, adiantou a Associação do Comércio da Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP).
“Para 2026, as perspectivas da ACIP são cautelosamente otimistas. A estabilidade nos mercados internacionais da farinha, energia e logística cria condições favoráveis para um ano sem grandes oscilações”, apontou a presidente da direção da associação, Deborah Barbosa.
Contudo, a ACIP antecipa “um ligeiro aumento” do preço do pão e da pastelaria, à boleia dos impactos de revisões laborais e das subidas dos preços dos ovos, frutos secos e do cartão.
A isto poderá ainda acrescer o impacto da possível retirada do apoio do Estado aos combustíveis, avisou.
Segundo dados da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, a 1 de janeiro de 2025 meia dúzia de ovos custava 1,61 euros, mas em 19 de novembro do mesmo ano a mesma caixa já estava a 2,12 euros, verificando-se assim um agravamento de 31,68%.
O preço dos ovos mantém-se estável desde 22 de outubro, quando atingiu o pico de 2,12 euros. Por sua vez, o valor mais baixo foi o atingido no início do ano (1,61 euros) e manteve-se até ao dia 29 do mesmo mês.
Segundo a ACIP, o setor deverá focar-se na “consolidação, eficiência produtiva e reforço da diferenciação”, fatores que para a ACIP são essenciais para atingir margens sustentáveis e responder às expectativas dos clientes.
Deborah Barbosa disse ainda que os dados preliminares do corrente ano mostram um alinhamento dos preços da pastelaria e padaria com a inflação, após anos de forte volatilidade nos custos e de baixa no consumo.
“O setor apresenta uma evolução moderada, com crescimento contido mas positivo, sustentado pela normalização dos preços das matérias-primas e por um comportamento do consumidor mais previsível. Embora ainda existam muitas pressões ao nível da mão-de-obra e dos serviços essenciais, 2025 evidencia um ambiente de maior equilíbrio operacional”, afirmou.
A atualização das pensões, com aumentos de 2,80% para a maioria dos pensionistas é paga já em janeiro, segundo um esclarecimento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
“Um esforço adicional da Segurança Social permitiu que as pensões relativas ao mês de janeiro já sejam pagas com os valores atualizados, e não apenas em fevereiro, como tinha sido anteriormente comunicado”, adianta o gabinete de Rosário Palma Ramalho, em comunicado enviado esta tarde.
O esclarecimento surge depois de esta manhã, também em comunicado, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social ter indicado que os aumentos das pensões para o próximo ano, que decorrem da lei, só seriam pagos a partir de fevereiro “e com retroativos a janeiro, uma vez que as pensões desse mês têm de ser processadas ainda em dezembro”.
A maioria dos pensionistas vai ter um aumento de 2,80% nas pensões a partir de janeiro de 2025, segundo a portaria publicada hoje em Diário da República.
De acordo com a legislação, as pensões até 1.074,26 euros, onde se situa a grande maioria dos pensionistas, vão subir 2,80% no próximo ano. No mínimo, estas pensões têm de ter um aumento de 9,29 euros (para pensões entre 331,79 euros e 1.074,26 euros).
As pensões de montante superior a 1.074,26 euros e até 3.222,78 euros sobem 2,27% (no mínimo de 30,08 euros) e as pensões acima de 3.222,78 euros sobem 2,02% (no mínimo de 73,16 euros).
Já as pensões de montante superior a 6.445,56 não serão atualizadas.
A portaria explica a fórmula de cálculo da atualização das pensões, tal como prevista na lei, que tem em conta o crescimento médio real do produto interno bruto (PIB) dos últimos dois anos, terminados no terceiro trimestre de 2025, e a variação média dos últimos 12 meses do índice de preços no consumidor sem habitação, disponível em dezembro deste ano.
Na prática, estes valores de atualização significam que, a partir de janeiro, um pensionista que atualmente tem uma reforma de 400 euros brutos passa a receber 411,2 euros mensais, mais 11,20 euros.
Por sua vez, uma pensão de 950 euros avançará para 976,60 em 2026, isto é, mais 26,60 euros.
Já uma pensão de 1.100 euros passa a receber 1.124,97 euros, uma subida de 24,97 euros.
Ao mesmo tempo, uma pensão de 3.300 euros subirá para 3.366,66, mais 66,66 euros mensais.
O parlamento aprovou na votação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) a iniciativa do PSD e CDS-PP para que o Governo volte a pagar no próximo ano o suplemento extraordinário para as pensões mais baixas, em função da evolução das contas públicas, ao passo que as propostas da oposição para um aumento estrutural das pensões foram todas chumbadas.
2025: Mudança de Papa, eleições, Ano Santo e guerra marcaram história do ano
O fim do pontificado do Papa Francisco e a eleição de Leão XIV estão entre os acontecimentos mais relevante do ano de 2025, que ficou marcado também pela vivência do Jubileu 2025 e voltou a ser ensombrado pela guerra.
“Sinto que muitos dos jovens hoje em dia sentiram que perderam ali um Papa muito importante, um Papa que lhes chamava muito ao coração”, afirmou Carolina Berlim, do Departamento de Comunicação da Província Portuguesa dos Jesuítas, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido na RTP2.
O Papa Francisco faleceu no dia 21 de abril, aos 88 anos de idade, pelas 07h35 locais (menos uma hora em Lisboa), na Casa de Santa Marta, onde residia, após um internamento de 38 dias no Hospital Gemelli, colocando fim a 13 anos de liderança da Igreja Católica.
O jornalista da Renascença João Maldonado considera que mudança de pontificado é o “acontecimento do ano” para todos os católicos bem como para o mundo inteiro.
“É algo muito, muito raro mudarmos de Papa, mudarmos um pontificado e acaba sempre por marcar o ano em que acontece”, reforça.
O jornalista recorda acontecimentos dos últimos meses de vida de Francisco, nomeadamente a abertura do Ano Santo 2025, a 24 de dezembro de 2024, a publicação da autobiografia “Sfera” (Esperança, em Portugal), em janeiro, e o agravamento do estado de saúde do pontífice nos meses que se seguiram.
João Maldonado destaca o dia da morte de Francisco, na segunda-feira, a seguir à Páscoa, como uma data com “enorme simbolismo para os católicos”, “o começo de uma nova vida”, e o processo que se seguiu com o início do Conclave, que teve a oportunidade de cobrir como jornalista em Roma.
“A expectativa durante esses dias acho que foi sempre a palavra de ordem, é muito giro olhar para trás e ver o que é que todos os jornais, não só os italianos, os portugueses, os internacionais, as apostas que sempre foram tentando fazer por esses dias em relação a quem poderia seguir como Papa”, refere, lembrando que Leão XIV não estava na listas iniciais.
A 8 de maio de 2025, o cardeal Robert Francis Prevost, até então prefeito do Dicastério para os Bispos, foi eleito como Papa, após dois dias de Conclave, assumindo o nome de Leão XIV.
“Acho que ninguém estava à espera que fosse àquela hora em que sai o fumo branco. Eu, no meu caso pessoal, até conto que eu tinha acabado de fazer um direto, até tinha já arrumado meio as coisas”, relata, explicando que, dada a quantidade de pessoas no local, à hora do anúncio, havia muito pouco acesso à internet.
“Apesar de toda a tecnologia em que estamos envolvidos, naquele momento nós não sabemos nada, de nada, sobre aquele cardeal, e mesmo assim há milhares, milhões de pessoas em todo o mundo que param tudo o que estão a fazer para ou ali irem presencialmente ou seguirem o acontecimento”, salienta.
Carolina Berlim evoca o momento em que que é anunciado o nome do novo Papa e se conhece a nacionalidade de Leão XIV: “O primeiro ambiente geral, foi ouvir esse nome e pensar, ‘ah, americano’, então houve quase uma ligeira desilusão”.
“Depois ele apresenta-se de uma forma um bocadinho diferente de Francisco, um bocadinho mais semelhante a Bento XVI, imediatamente as pessoas começam a fazer relações nas suas cabeças e assim um bocadinho a entrar em pânico, mas acho que é também belo vermos que o Papa Leão XIV é uma bonita continuação do Papa Francisco”, salienta.
“Não é uma cópia do Papa Francisco, porque também não era isso que a Igreja precisava neste momento”, acrescenta.
Sete meses depois da eleição de Leão XIV, Carolina Berlim e João Maldonado destacam a paz como o tema do pontificado, que esteve muito presente na primeira viagem internacional do pontífice, na qual visitou a Turquia e o Líbano (27 a 2 de dezembro).
“Acho que foi muito bonito ver e ler as imagens e as descrições de milhares de jovens que ali foram ver o Papa, não só do Líbano, mas que vieram também de outros países, como sa Síria, que naquele ambiente pesado conseguiram criar ali uma mini Jornada Mundial da Juventude, com muitos cânticos a fazer recordar uma JMJ”, indica.
Além destes acontecimentos, 2025 mostrou ser um ano de grande dinamismo para a Igreja Católica, que viveu o Jubileu 2025, dedicado à esperança, que levou milhares de grupos a Roma.
Carolina Berlim considera “muito poético” o facto de a eleição de um novo Papa ter acontecido num ano “especialmente dedicado à unidade da Igreja”.
No campo político, Portugal foi chamado às urnas duas vezes, primeiro nas eleições legislativas, em maio, e depois nas eleições autárquicas, em outubro, tendo o ano terminado com a campanha eleitoral para as presidenciais.
“Deve ser dos poucos anos na história da democracia em Portugal que isto acontece. E mesmo noutros pontos da Europa acho que é difícil encontrarmos casos assim”, mencionou João Maldonado, que defende que os atos eleitorais de 2025 mostraram polarização e que faz falta encontrar “pontos comuns”.
Carolina Berlim concorda que se ouvem cada vez mais “vozes polarizadas” que intimidam as “vozes moderadas”: “Penso que na cabeça das pessoas talvez tenha-se instituído muito esta ideia de que ou é preto ou é branco. …] E, de facto, a moderação não é isso. A moderação implica um bocadinho mais de discernimento. Acho que o discernimento é fundamental para qualquer cristão que queira votar”.
Em 2025, a guerra continuou a dominar a atualidade, tendo o som da armas continuado a ecoar em vários pontos do mundo.
O jornalista da Renascença João Maldonado observa que o cessar-fogo não chega devido à “falta de pontes”, à falta de ambição pela paz, a que se aliam o “negócio das armas”, da tecnologia e da inteligência artificial.
“O papel de cada um de nós primeiro é acompanhar estes conflitos com muita oração e com muita tristeza como o Papa também o faz, portanto seguimos o nosso pastor, mas por outro lado também percebermos que não podemos justificar nem normalizar nas nossas cabeças estes conflitos só porque eles não estão a acontecer aqui perto de nós”, disse Carolina Berlim.
Genísio: Padre Telmo Ferraz regressou para apresentar “Fui Pároco de Aldeia”
Na tarde de Domingo, dia 28 de dezembro, a Associação Cultural e Recreativa Sol Nascente, em Genísio, recebeu a visita do padre Telmo Ferraz, antigo pároco (1951-1953), para a apresentação do livro “Fui Pároco de Aldeia”, que recorda os primeiros anos de sacerdócio nas paróquias de Genísio e Vilar Seco.
Telmo Ferraz nasceu a 25 de novembro de 1925, na aldeia de Bruçó, no concelho de Mogadouro, tendo celebrado recentemente 100 anos de vida. Foi ordenado sacerdote em Bragança, em 1951, pelo então bispo de Bragança-Miranda, Dom Abílio Vaz das Neves e teve como primeiras paróquias as aldeias de Genísio e Vilar Seco, de 2 de agosto de 1951 até 30 de junho de 1953.
Na apresentação do livro “Fui Pároco de Aldeia”, em Genísio, estiveram presentes o vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Nuno Rodrigues, a presidente da Freguesia de Genísio, Edite Lopes e o padre Basileu Pires.
Coube ao professor da Universidade Católica, Henrique Manuel Pereira, autor do prefácio, fazer uma apresentação do livro que assinala os 100 anos de vida do Padre Telmo Ferraz (1925-2025).
«A primeira edição de “Fui Pároco de Aldeia” foi lançada a 29 de junho, data da sua ordenação sacerdotal, dia de São Pedro e no âmbito dos 100 anos de vida do padre Telmo Ferraz. O “Lodo e as Estrelas (1985)” foi o seu primeiro livro e “Pároco de Aldeia” é o 14º livro da sua autoria”, indicou Henrique Manuel Pereira.
Sobre o conteúdo do livro, Henrique Manuel Pereira, escreve no prefácio que «este livro é um coração aberto, um gesto de ternura, um fio de memória feito de terra, de povo e de Evangelho. .. “Fui Pároco de Aldeia” é um regresso à própria vocação de Telmo Ferraz, jovem e caloiro padre num remota paróquia de Miranda do Douro», pode ler-se no prefácio.
Após o serviço nas paróquias de Genísio e Vilar Seco, o padre Telmo Ferraz assumiu a responsabilidade de ser capelão da barragem de Picote, onde desenvolveu uma “pastoral e humanitária junto dos operários”.
Em 1960, viajou para Angola, para ser capelão na barragem de Cambambe. Em 1963, ainda por terras africanas, fundou a Casa do Gaiato de Malanje, dedicando-se à formação de sucessivas gerações de jovens em risco.
Ao longo dos anos, o padre Telmo Ferraz publicou livros como Mourela (2012), Contigo no Planalto (2013), Pelo Caminho das Tipoias (2013), Mibangas e Frutos (2013), A Mulemba e o Grão de Areia (2014), Um Retiro na Montanha (2016), Terra Batida (2017), As Abelhas e o Mel (2018), O Silêncio de Deus (2019), Sinais (2021), Aldeia de Leprosos (2023) e Meu Sonho Profundo (2023).
Atualmente, o padre Telmo Ferraz vive na comunidade da Casa do Gaiato, no Calvário de Beire, em Paredes (Portugal).
Vimioso: Assembleia Municipal aprova orçamento destinado a fixar pessoas no concelho
Para o novo ano de 2026, a Assembleia Municipal de Vimioso (PSD) aprovou por maioria, um orçamento de 14,5 milhões de euros, tendo como prioridades a ação social, educação, saúde e os apoios ao empreendedorismo e à criação de emprego, de modo a fixar pessoas no concelho.
O presidente da Câmara Municipal de Vimioso, António Santos (PSD), disse que este orçamento conta com mais um milhão de euros face a 2025, com a preocupação de fixar pessoas no concelho.
“A única forma de atrair e fixar pessoas no concelho é direcionar uma boa fatia deste orçamento municipal para a ação social, para a educação e para a saúde”, disse o autarca vimiosense.
Segundo António Santos, no que toca à ação social, serão tidos em conta os estratos sociais mais desfavorecidos do concelho, apoios aos estudantes do ensino secundário e superior com o pagamento de propinas e apoio à criação de emprego e ao empreendedorismo.
No campo da saúde, são apoiados os doentes com transporte gratuito para o Instituto Português de Oncologia (IPO) e hospitais de referência. Haverá ainda incentivos de apoio à natalidade.
Já em matéria de emprego, serão apoiadas empresas com cinco mil euros por cada posto de trabalho.
Das obras prioritárias, o armazenamento de água é uma prioridade com a criação de barragens da Alamela e Santulhão, que é tida pelo executivo social-democrata como uma obra estruturante no que respeita ao regadio, com uma dotação de 6,5 milhões de euros.
A ribeira da Ramalheira, em Angueira, será outro ponto de armazenamento de água, orçado em mais de 15 milhões de euros, para o qual estão a ser desenvolvidos estudos de impacte ambiental e outros trâmites inerentes junto das entidades competentes.
Ainda no campo do abastecimento de água foi aprovada uma candidatura para instalação de contadores inteligentes em todas as habitações, no valor de 1,5 milhões de euros, para deteção de fugas.
Segundo António Santos, há outra obra emblemática para o concelho que passa pela construção de seis residências autónomas para jovens portadores de deficiência.
No campo dos impostos, o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para prédios urbanos fica no valor mínimo (0,3%), enquanto para prédios rústicos fixa-se no máximo (0,8%).Já em sede de Imposto sobre o Rendimento (IRS) ficou nos 5%. No que respeita aos Direitos de Passagem, a taxa é de 0,25%.
Do lado da bancada do PS, os eleitos justificaram os votos contra porque o orçamento segue opções políticas segundo os socialistas “erradas, ao privilegiar o aumento da despesa corrente em detrimento do investimento estruturante”.
“Esta escolha enfraquece a capacidade do município para responder aos problemas reais do concelho, adia investimentos necessários e limita o desenvolvimento futuro. Há a ausência de uma estratégia clara para enfrentar desafios como a perda de população, o envelhecimento, a falta de oportunidades económicas e o isolamento territorial”, indicam os eleitos pelo PS.
Em Vimioso, o orçamento municipal foi aprovado por maioria, em sede e executivo municipal, no dia 5 de dezembro, com três votos a favor da maioria PSD e dois votos contra da oposição do PS.
A Assembleia Municipal de Vimioso e a Câmara Municipal são ambas de maioria PSD. Na câmara há cinco eleitos, sendo três do PSD e dois do PS.
Mogadouro: Aprovado o orçamento municipal para obras como o museu arqueológico
A Assembleia Municipal de Mogadouro (PSD) aprovou para o ano de 2026, um orçamento de mais de 34 milhões de euros, destinado a obras como o ginásio municipal, matadouro municipal, museu arqueológico de Mogadouro e a conclusão das requalificações das antigas escolas primárias do concelho.
“Este orçamento de mais de 34,1 milhões tem em vista todas políticas que vinham a ser seguidas por este executivo e que vão incidir nos apoios às empresas e às pessoas. Este orçamento contempla ainda um conjunto de obras que estão na fase final de execução, que ao todo ainda somam 6,8 milhões de euros “, explicou à agência Lusa, o presidente da câmara de Mogadouro (PSD), António Pimentel.
O orçamento aprovado teve um aumento de 4,2 milhões de euros face ao de 2025.
De acordo com o autarca mogadourense, as obras em causa são o ginásio municipal, matadouro municipal, o museu arqueológico de Mogadouro que vai ter o seu início em 2026 e ainda conclusão das obras das antigas escolas primárias do concelho.
“São obras que transitam para 2026. Mas há novos projetos como parque biológico do Juncal, o centro interpretativo do Douro Internacional, a recuperação do edifício do convento de São Francisco, onde estão os paços do concelho, e recuperação de arruamentos em várias localidades do concelho, sendo estas a obras mais representativas”, explicou Antonio Pimentel.
O autarca social-democrata lembrou ainda que também há investimentos previstos para 2026, como a manutenção de vários equipamentos públicos que vão desde a biblioteca municipal, à Casa das Artes e Casa da Cultura J.Rentes de Carvalho e à escola do ensino básico.
António Pimentel explicou ainda que para a educação estão destinados 218 mil euros, destinados a fichas escolares para todos os níveis de ensino, prémios de excelência educativa, e apoio à primeira infância de atividades de tempos livres e estudo e a segunda fase de combate ao insucesso escolar.
Já o setor agrícola tem uma dotação de 216 mil euros para a vacinação animal, apoio ao plantio de árvores e trabalhos preparatórios.
No que respeita aos apoios a iniciativas empresarial e económica de interesse municipal está alocada uma verba de 490 mil euros.
A ação social leva a maior fatia com mais de dois milhões de euros, com ampliação da Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia (com uma dotação de 1,5 milhões de euros), o apoio à habitação, apoio à natalidade, entre outros.
Em sede de executivo municipal que decorreu a 09 de dezembro o orçamento foi aprovado com três votos da maioria PSD e duas abstenções do PS.
No campo dos impostos municipais para 2026, a taxa de IRS será de 0,3% . No campo de IMI o valor mantém-se nos mínimos (2,5%). No que respeita à Derrama a taxa é de 1,5 % aplicável a banca e energético.
Do lado da bancada do PS, Manuel Lobo, disse que este orçamento representa mais do mesmo, materializando opções e apostas do executivo que suscitam sérias dúvidas quanto ao futuro de Mogadouro.
“Assim, o Grupo Municipal do Partido Socialista opta pela abstenção, por não se rever nas opções, prioridades e orientação política expressas neste orçamento”, indicou o líder da bancada socialista.
O executivo municipal de Mogadouro é composto por cinco eleitos, sendo três pelo PSD e dois pelo PS.