Ambiente: Promotores de parques eólicos e fotovoltaicos têm de envolver as populações e autarquias – Governo
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirmou em Mogadouro que as empresas promotoras de parques eólicos e fotovoltaicos devem envolver as populações e os autarcas, para que os processos sejam públicos e transparentes.

“Como política geral, este Governo tem a orientação de que os promotores conversem com as populações e com os autarcas e arranjar uma forma de os envolver desde o início [destes processos]. Porque um projeto tem de ser benéfico para todas as partes e haver formas transparentes e só assim é que se consegues levar os projetos até ao fim”, disse Maria da Graça Carvalho, quando questionada sobre os projetos de hibridização de quatros centrais transmontanas através de parques eólicos e fotovoltaicos apresentados pela Engie.
A governante acrescentou ainda que “estes projetos têm impacto na natureza, na paisagem e no território, mas que também têm muitos benefícios para o país, Europa e para o mundo devido às alterações climáticas”, disse.
“Nós queremos muito fazer a transição energética, mas sempre em harmonia com as populações”, vincou Maria da Graça Carvalho.
Questionada, a ministra do Ambiente disse não ter conhecimento dos projetos da Engie, que estão em fase de auscultação pública no território do nordeste transmontano.
“Ainda tive conhecimento desses projetos porque saiu um artigo nos jornais. Nós não recebemos os promotores quando ainda estão em processos de autorizações para não dar nenhum sinal, nem a favor, nem contra” explicou Maria da Graça Carvalho.
“A nossa política é uma completa confiança nas nossas intuições de avaliação de impacto ambiental e não dar qualquer tipo de sinal, e não conheço projetos individuais”, sublinhou.
Também o presidente da Câmara de Mogadouro, António Pimentel disse que os municípios pouco têm a ver com estes projetos, visto que os licenciamentos são feitos pelas entidades competentes.
Contudo, o autarca mostrou-se “preocupando com a dimensão dos parques eólicos fotovoltaicos” que estão previstos para o território e sobre as respetivas compensações.
“Tudo terá de ser feito com conta peso e medida. Penso que já estão a criar algum exagero com a instalação de parque fotovoltaicos”, indicou.
As reações surgiram na sequência da sessão da apresentação do projeto de hibridização da central hidrelétrica de Picote, com a instalação de um parque eólico, realizada a 7 de maio na aldeia raiana de São Martinho de Angueira, pela Engie.
Quanto à potência deste parque eólico, neste momento perspetiva-se que possa ter uma capacidade de aproximadamente 157,5 MegaWatts.
Nesta fase de projeto estão previstos 105 hectares, de área não vedada, onde se inserirão os aerogeradores, valas de cabos e acessos.
Outros dos projetos passa pela hibridização em três centrais elétricas transmontanas através de projetos fotovoltaicos com capacidade de cerca de 354 Megawatts-pico (MWp).
As centrais em causa são Bemposta (Mogadouro), Baixo Sabor (Torre de Moncorvo) e Foz Tua (Carrazeda de Ansiães e Alijó).

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr