Miranda do Douro: Município desagradado com falta de informação sobre projeto da Engie

A presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril expressou desagradado por não ter sido informado pela Engie, sobre o projeto de hibridização da Central Hidrelétrica de Picote, acusando a empresa de “arrogância”.

“O ‘eu quero, posso e mando’ é uma atitude de uma instituição que acha que pode estar no terreno sem dar, sequer, informação, por exemplo, ao município. Nós na vida, ou nas instituições, não podemos estar com uma atitude destas, que pressupõem um pouco da arrogância com que abordam as temáticas e não é essa a nossa postura”, sublinhou a autarca, uma semana depois de ter arrancado a auscultação pública ao projeto que prevê a instalação de 35 aerogeradores no planalto mirandês.

Helena Barril disse que foi expressado publicamente este “desagrado” pelo motivo da falta de informação e contacto por parte da Engie com o município.

“Já manifestámos o nosso desagrado que vai no sentido de não termos sido abordados pela Engie. Se estão no terreno, ao menos que nos manifestassem a intenção de que vieram fazer uma auscultação pública [sobre o projeto]”, explicou a autarca mirandesa.

“Todos eles, autarcas e população, garantiram que também foram apanhados de surpresa perante este processo. Isto não é forma de nos relacionarmos entre intstituições”, vincou.

A autarca não contesta a “legitimidade do projeto” em curso, apenas defende que deveria haver que a empresa iria para o terreno e não pode haver uma atitude“ de eu quero, posso e mando”.

A autarca mirandesa relembrou, igualmente, o processo da cobrança dos impostos sobre a venda das [seis] bagagens que se arrasta há seis anos.

“Mesmo assim, temos estado junto da Engie e da Movhera, porque é assim que se funciona, independente, das litigâncias em curso”, destacou.

A primeira sessão da apresentação deste projeto de hibridização da Central Hidrelétrica de Picote e parque eólico decorreu no dia 7 de maio na aldeia raiana de São Martinho de Angueira.

Quanto à potência deste parque eólico, neste momento perspetiva-se que possa ter uma capacidade de aproximadamente 157,5 MegaWatts.

Nesta fase de projeto estão previstos 105 hectares, de área não vedada, onde se inserirão os aerogeradores, valas de cabos e acessos.

Estes equipamentos de produção de energia eólica terão de ficar instalados num raio de 30 quilómetros dentro área da barragem de Picote, situada no sul do concelho de Miranda do Douro, por razões de operacionalidade e onde será, depois, ligada à Rede Elétrica Nacional, para a distribuição da energia produzida.

Quanto ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para dar início a este projeto transfronteiriço do Parque Eólico de Avelanoso, e consequente processo de hibridização da Central Hidrelétrica de Picote, o processo poderá demorar cerca de dois anos, adiantaram os técnicos da empresa Gesto Energia, encarregues desta fase inicial deste projeto.

Foi ainda explicado durante esta sessão aberta ao público que em Portugal haverá três momentos para a consulta pública de todo este processo de hibridização e do EIA, respeitando o regime jurídico em vigor.

A empresa elétrica Engie também está a realizar uma auscultação pública para a instalação de projetos de hibridização em três centrais elétricas transmontanas através de projetos fotovoltaicos com capacidade de cerca de 354 Megawatts-pico (MWp), disse hoje fonte da empresa.

As centrais em causa são Bemposta (Mogadouro), Baixo Sabor (Torre de Moncorvo) e Foz Tua (Carrazeda de Ansiães e Alijó).

Fonte: Lusa | Fotos: Flickr e GP

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